quinta-feira, 22 de maio de 2008

Capítulo 6º



CAPITULO 6º



DECISÃO: GAMBIA











TRAVESSIA DA GAMBIA – os 17 kms. mais caros do mundo (Pakai N’Ding)

Há tréguas nos conflitos e de momento está tudo tranquilo.
Evitou-se este trajecto, na ida, temendo-se conflitos e complicações fazendo a travessia
do Cacheu e entrando por Pirada.


A língua corrente é o Inglês – gentes desconfiadas, arrogantes. Rio de água suja, sujidade por todos os lados.

Aderiram à moeda da Africa Ocidental - Francos Senegalezes ou CFA's mas tentam, sem sucesso, levar-nos a cambiar a antiga moeda: Dalasis. Ás vezes a impaciência vira em Maufeitio e tudo se resolve num ápice.


Queremos sair daqui depressa!




A travessia do rio Gambia em ferry-boat é rápida e segura; não tanto diríamos dos ancoradouros onde nos sentimos transparentes perante o olhar dos indígenas. Mas correu tudo sem incidentes e chegámos a Dakar dentro do previsto.

Controle policial sob a mira de metralhadoras foi uma constante durante tudo o percurso. Se não ostensivamente por soldados colocados na estrada a seguir ao sinal «haute police» (e haute police é para parar mesmo), simplesmente os canos a espreitar do buraco das rudimentares guaritas a que pomposamente chamam posto de polícia. Mas já começávamos a estar habituados não nos causava grande perturbação, embora desconhecêssemos se as armas teriam munições.

VAI SEGUIR-SE, DE NOVO, O SENEGAL


HAUTE POLICE  (Proibido Fotografar)



Por cá querem imitar!!

















DAKAR via KAOLAC



Mais estrada com buracos ou buracos com restos de estrada,








mais abutres devorando carcaças de animais mortos, cheiros nauseabundos,



polícias e caça à multa – negociar a coima a pagar…



Proibido fotografar autoridades ou instalações militares


…mas, li algures, «eles» querem voltar outra vez !!

Não resisto a relatar um incidente com o nosso K9 --- a discussão com o senhor agente da autoridade ameaçava chegar ao rubro (paciência às vezes tem limites) – o Paulinho sempre tranquilo resolve intervir. Simplesmente identificou-se! O nosso senhor agente de autoridade virou de imediato a sua atitude como se passasse a estar na presença do superior máximo da sua hierarquia (riso).




Confesso a minha surpresa até porque me havia sido assegurado que militares e jornalistas não eram bem recebidos. Esta viagem serviu, na realidade, para descobrir muita coisa!

DAKAR

A tão afamada cidade Senegalesa que há quase 20 anos acolhe o mais conhecido rally do mundo continua estagnada no tempo e nos pântanos, no lixo e no mau cheiro.







Depois de umas filas de trânsito à moda da VCI ou do IC19, com muita contrariedade da equipa Mitsubishi, à segunda tentativa temos o Hotel Independence.


OPÇÕES


Assim, o convoy estaria desmobilizado a partir dessa data e os participantes numas merecidas férias fazendo um regresso descontraído, sem tensões e ao livre arbítrio de cada um.

Não foi agradável que a desmobilização de uma equipa se desse antes de ser considerada terminada a Missão, ou seja, antes da visita e entrega de medicamentos ao Hospital de Cumura. Não teve, no entanto, importância de maior, estávamos no destino e é compreensível que uns mais cansados que outros, tomassem as suas próprias opções.

Foi pena não terem comparecido ao jantar que as Irmãs nos prepararam com tanto carinho mas ao que parece houve falhas de comunicação quando saímos do hotel, impossíveis de colmatar pela inactividade dos nossos telemóveis.

Mas é bom, mesmo já fora do local apropriado, falar da Missão de Antula e das Irmãs. A boa disposição, alegria, espírito crítico é uma constante. Não resisto a contar:

- extasiei-me perante as árvores carregadas de frutos: eram cajueiros, mangueiras, coqueiros … aquelas árvores que me pareciam palmeiras davam cocos em vez de tâmaras!
No fresco e agradável parque da Missão não resisti a fotografar uns maravilhosos cocos perante o sorriso aberto da Irmã Eloisa. Pois…






antes da partida a nossa Irmã, sempre sorridente e com um ar maroto, carregando um saco plástico, dirigiu-se-me nestes termos:
Leonor: tem aqui, para levar para Portugal, uns mangos colhidos esta manhã… no seu coqueiro!! (riso).

Confessem lá, companheiros: os mangos eram ou não uma delícia? Hummm e souberam tão bem !!


(Nota: Na Guiné-Bissau chamam Mangos e não Mangas! Manga significa bué.)

Da Irmã Germana ( que cozinhou o nosso jantarinho) ao reconhecer que a carne era um tanto rija comentou com muita graça: pois, aqui a carne é sempre dura, as vacas vêm a pé desde o Senegal! (riso)

Mas Antula, Bissau e as Irmãs já ficaram para trás e esta citação é já o reflexo de uma ponta de saudade.


A CISÃO definitiva no grupo deu-se de manhã cedo no átrio do Hotel..

O Fernando e o JP não jantaram com os restantes elementos . Fomos dormir sem nos reencontrarmos e a SMS enviada pelo Zé não foi lida o que originou que não descêssemos todos para partir à hora combinada.

Todos reunidos foi assumido pela equipa Mitsubishi que se separariam de nós e regressariam mais rápido a Portugal. --- aliás --- tinha sido admitido acontecer desde o inicio da divulgação da viagem.

Restou-nos desejar-vos BOA VIAGEM companheiros

E um MUITO OBRIGADA

SEM A VOSSA ADESÃO ESTA VIAGEM NÃO SE TERIA REALIZADO


quarta-feira, 21 de maio de 2008

Capítulo 5º




CAPITULO 5º


BISSAU –A CIDADE DOS ABUTRES – ANTULA E CUMURA



Lixo, lixo e mais lixo é uma realidade constante; plástico, cartão, lixo indistinto, cadáveres de animais pela borda das estradas. Sobre todo este lixo, sobre toda a cidade, nas árvores, na beira das estradas, bandos de abutres levam-nos a sentir que espreitam se algum de nós vai soçobrar.



Junta-se a esta paisagem lúgubre a destruição provocada pela guerrilha. Além da principal avenida as ruas têm simples restos de alcatrão no meio da predominância de buracos (quase crateras), a maioria são simples terra batida que nos abafa com a poeira que paira no ar.



















O resto é destruição, o próprio palácio do governo é a mostra dessa destruição.

Nota-se uma tentativa de recuperação ao nível de apoios turísticos; hotéis equipados com captação de água e geradores de corrente.

Hotel Coimbra no centro de Bissau





Mas para além de tudo o que está mal é BOM ouvir falar português. O acolhimento e carinho daquela população aquece-nos o coração e faz-nos pensar que «valeu a pena».








AS IRMÃS E A ESCOLAS DE BISSAU E ANTULA











HOSPITAL DE CUMURA




A Irmã Eloisa fala-nos de uma obra notável – O HOSPITAL DE CUMURA dirigido pelo médico Frei Vítor Henriques


 – convida-nos a uma visita.

Este Hospital tem vindo a ser construído por fases, por um grupo de alemães de diversas profissões que utilizam as suas férias diferentes para ajudar a minorar as carências de uma tão vasta população.
Em pavilhões separados são acolhidos doentes de Hansen, HIV e Tuberculose.



O seu stock de medicamentos, material de penso e cirúrgico estava em rotura. As Irmãs Franciscanas abdicam da maior parte dos medicamentos que haviam recebido e com a nossa anuência incondicional, fazem entrega no dispensário do Hospital.
O kit cirúrgico e mais uns medicamentos específicos da mala médica de emergência da Turma é avidamente remexida e «tudo» considerado uma preciosidade pela Dra. Alice, uma voluntária já de regresso por ter terminado o seu tempo de missão.

CHOCANTE O HOSPITAL DE CUMURA

Especialmente limpo, arrumado, cheiroso – os doentes (alguns terminais) junto a suas camas, nem parecendo doentes, bem apresentados, conseguindo devolver-nos um sorriso bonito.
Uma mulher bonita de idade indefinida, ensinou como colocam os lenços as mulheres senegalesas. Sorrindo, feliz por haver visitas.



Projectos como este deveriam ser ajudados. Os medicamentos que entregámos, bem geridos como vão ser, vão ajudar muita gente por um razoável período de tempo. Se calcularmos que darão para um mês, bastaria que mais 11 grupos como o nosso se disponibilizassem para nos imitar.

Ajudar não dói nada --- desde que deixemos de olhar para o nosso próprio umbigo. Exemplo desta afirmação é Frei Vítor. Um belo homem (física e espiritualmente) médico competente, devotado a uma causa bem difícil e perigosa, mantém um sorriso e cordialidade enternecedoras. Frei Vítor fez-me chorar…

Será possível imaginar quanta coragem é necessária para tranquilamente informar um doente e seu pai de que --- não há cura --- está estabilizado mas não há mais nada a fazer e--- não voltará a andar. Simplesmente arrepiante!
Mas é com certeza muito compensador poder afirmar que salvou da doença de Hansen (lepra) um menininho de talvez 8 anos.
Detectou a tempo a insensibilidade em vários locais do corpo do menino, testa, face, antes de haver necroses. As manchas começam a desaparecer e o menino vai ser curado sem ficar com o estigma desta doença, as amputações.
Frei Vitor, eu que sou descrente peço: mantenha a sua fé inabalável, aconteça o que acontecer. Há necessidade de muitos Frei Vítor para minorar o sofrimento da humanidade

SAIDA DE BISSAU

3ª dia: abdicámos da carilada da D. Berta e metemo-nos à estrada, não sem mais uma cena de copiosas lágrimas da nossa amiga, logo a seguir ao pequeno almoço no Hotel Coimbra e umas últimas comprinhas.



Grande mulher a D. Berta, um padrão português em Bissau, homenageada por altas individualidades pelo seu bem-fazer. Viúva de um português ajudou e salvou muita gente na época da descolonização.

Está na hora de partirmos; todos nos chamam de LOUCOS por empreendermos a viagem de regresso por terra --- onde estaria o desafio de embarcar os jipes num barco e regressarmos comodamente de avião em poucas horas?

Tomamos conhecimento da situação de Casamance, sobre a Gambia e se estão operando as barcaças de S. Vicente e S. Domingos. Decidimos cumprir o itinerário inicial e regressar pela costa.

Câmbio de Euros em CEFA's, abastecimento das viaturas e aí vamos direcção  à ponte João Landim sobre o Rio Mansôa (ou Ponte Amilcar Cabral, construida com financiamento da UE)



que eliminou a espectacular e  velha barcaça a que um dia, em tempos passados) se esqueceram de meter óleo,



Ultrapassado o Rio Mansôa, segue-se S. Vicente no Rio Cacheu em jangada de «meter medo a um susto».

















Pela Soares da Costas está em construção terminal uma ponte que vai ligar a Guiné-Bissau ao Senegal. O nosso companheiro Soares Periquito encontra um amigo da administração da obra mas a passagem não nos pode ser franqueada por razões burocráticas.



Usa, no entanto, os seus  privilégios e pagando  um excesso no bilhete de embarque e, ultrapassando uma coluna de veículos de toda a espécie, embarcámos logo na primeira jangada  mas sem que primeiramente não tenhamos tido que esperar porque a sua tripulação almoçasse.

A chegada a Ziguinchor sem incidentes; um motel no meio de um parque,




 uma piscina em obras, muita bière fresquinha a acompanhar um jantar gostoso e depois, uma noite tranquila. Bem necessária essa noite tranquila; amanhã vamos voltar à «dança» das fiches police» dos cachets, da police, gendarmerie e douane. Haja paciência!!


domingo, 18 de maio de 2008

Capítulo 4º



CAPITULO 4º



PIRADA E A ENTRADA DA GUINÉ





Diversos postos de controle, carimbos nos passaportes, saída do Senegal, entrada na fronteira de Pirada.



Continuamos a pagar, pagar sempre mas nada que não tivesse sido previsto.


FINALMENTE GUINE-BISSAU


Foram-se vencendo os últimos quilómetros de buracos e alguma estrada. Abundam os cajueiros carregados de frutos maduros e lindos, o cheiro é adocicado, forte e enjoativos especialmente pela quantidade de frutos a que foi retirada a castanha e abandonados na beira da estrada.




e árvores de grande porte onde 'floresce' um companheiro

Chegada ao centro da cidade, visita à Pensão da D. Berta,


umas lágrimas de alegria, almoço agradável, conhecimento com cooperantes portugueses, uma ajuda em medicamentos a uma «professorinha de psicologia» ficámos sem perceber da necessidade desta disciplina num país dos mais pobres do mundo e com índice de alfabetização tão baixo

Contacto também com um militar de elevada patente recém chegado ao país e que impressionou fortemente o nosso Zé; tão fortemente que várias vezes haveria de ser citado e em situações não muito convenientes (riso).

Os nossos telemóveis não têm rede na Guiné-Bissau. Onde, na Europa as nossas telefónicas anunciam os seus produtos, na praça do palácio de governo (em avançado estado de destruição) o placar anuncia simplesmente «no rede»


A D. Berta,

amável como sempre, usa o seu telefone para contactar Antula e as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras.

Temos pressa de descarregar – os pobres jipes não rolaram mas arrastaram-se até Bissau. É tempo de os aliviar da sua carga.


A Irmã Eloisa não se faz esperar e lá vamos em fila mais meia dúzia de quilómetros. Espera-nos a nossa velha amiga Irmã Germana que dá aulas de costura a um grupo de jovens raparigas negras. A Irmã Ester um pouco achacada também não deixa de manifestar a sua alegria.


Descarregam-se os carros; é espantosa a carga que foi transportada – arruma-se tudo na arrecadação da missão --- nessa noite a Irmã Eloisa iria separar e acondicionar tudo para que nada se estrague.
No dia seguinte manifestou o seu espanto e agradecimento pela quantidade de bens essenciais especialmente «medicação» que considerou uma fortuna preciosa.

UM DIA EM BISSAU

Vamos de manhã visitar a escolinha de Bissau das Irmãs. Estes meninos e meninas nada têm a ver com as crianças de rua de Bissau.


Cantam em português as boas vindas aos portugueses; no recreio «caiem-nos» em cima querendo e dando carinho, são de uma ternura extrema trepando uns por cima dos outros para todos se nos poderem agarrar. NUNCA MAIS VAMOS ESQUECER

O PROJECTO 917
O nosso companheiro Soares Periquito através da Internet tomou conhecimento de um planta que supostamente pode prevenir e atenuar a Malária.
De acordo com todo o grupo empenhou-se em adquirir um kit (a que foi dada a designação de Projecto 917) composto por sementes, literatura informativa sobre sementeira, colheita, manuseamento do chá e aplicação.
Levantou-se a dúvida de quem teria condições e conhecimentos mínimos de botânica para proceder ao cultivo das plantas de sementes minúsculas e, consequentemente, de muito difícil manuseamento pela possibilidade de dispersão e perda. Não nos pareceu que as Irmãs tivessem capacidade para serem incumbidas dessa tarefa.
Fizeram-se contactos com diversas individualidades locais, uns indisponíveis outros com boa vontade mas sem qualificação; decidiu-se abortar o projecto e tentar fazer a sua sementeira em Portugal pedindo ajuda a um Jardim do Ultramar ou outra entidade semelhante.
Comunicada a decisão notou-se a tristeza e decepção da Irmã Eloisa de tal maneira que nos entreolhámos e em silêncio decidimos correr o risco de um insucesso . Já tivemos noticias:

«««« Eloisa B Cruz (By e-mail)

Olá Leonor

Obrigada pelas notícias. Ficámos a torcer para que a vossa viagem fosse boa e gostámos de saber que assim foi.

A vossa passagem por cá dá ânimo e força a quem, por estas bandas, labuta dia-após-dia...

Mais uma vez muito obrigada por tão grande gesto de solidariedade e humanismo.

Ps. As sementes já começarem a germinar. Me parece que vamos conseguir!

Beijinhos e que Deus abençoe todos os seus projectos e trabalhos

Ir. Elóisa Cruz »»»»

Capítulo 3º




CAPITULO 3º




E VAMOS COM DOIS DIAS GANHOS AO PREVISTO

Seguindo conselhos diversos e experiências passadas, mas unânimes vamos evitar Rosso, a barcaça e rodear pela Barragem de Maka Djama e pelo Parque Natural .




Aqui começa a «saga» senegalesa – diferente de sagas anteriores ou, talvez mais igual.Paragem obrigatória na Alfândega – Um garoto acolhe-nos, leva-nos ao posto fronteiriço onde apresentamos todos os documentos. Desinteressadamente o agente de serviço toma notas, não se interessa pelas nossas maravilhosas «fiches police».




Depois de um bom tempo de espera diz-nos que vamos ser levados à aldeia à presença do chefe.

Seguimos ordeiramente em caravana, mostrando uma tranquilidade longe de ser verdadeira, aliás, a pressão era extrema por isso havia que demonstrar também indiferença e descontracção.

PASSAVANT (Senegal)

Segundo Incidente
Lá está o chefe recostado nas suas almofadas parecendo um tradicional cacique. Negoceia; quer 300 euros por viatura para emitir os Passavant de circulação no Senegal; conversa mole, sorrisos, simpatia, quase cumplicidade e lá fica a negociata feita por 150 euros pelos 3 jipes e um recibo de 2500 FCFA.
De regresso ao Posto fronteiriço e emitido e «espécime» que se reproduz e que grande perturbação veio a causar escassos 36 kms dentro do território.



Para arrecadar mais 2x2500 FCFAs é emitido um único Passavant e averbados os dois outros veículos no verso; só que, por desconhecimento ou incúria, não foi esse averbamento certificado pelo carimbo da alfandega , o que o tornava totalmente sem valor.

Exibem-se estes «specimens» por julgarmos serem únicos. Depois de uma tentativa de apreensão foi como se tivessem mesmo sido apreendidos --- ficaram bem escondidinhos para «memória futura»
Esclarecimento:
€ 1 = 10 DH (Dirham Marrocos) Bank Al-Maghrib
€ 1 = 384 UM ou MRO (Ouguiya - Mauritânia) não aderente à União Monetário Centro Africana
€ 1 = 665,- FCFA ou XOF(Francos Cefas) Banque Centrale des Etats de L’Afrique de l’Ouest) moeda única

A vontade destas gentes, homens e mulheres, de alcançarem a Europa é de tal forma que são frequentes os pedidos de propostas de trabalho ou convites para nos visitar, chegando a formais propostas de casamento.
Prova disso é que, passadas duas semanas do nosso regresso ainda continuam a chover telefonemas que, obviamente, são rejeitados.

Com este espírito, o garoto que nos havia acolhido,  Madiop Diop fez troca de números de telemóvel  que bem útil se nos veio a mostrar. Aqui fica para memória futura ou para quem demandar aquelas paragens: 00221 777203619 -

Mas, meus queridos companheiros de viagem – desiludam-se ! Foi difícil? Complicado q.b? caro? Olhem que NÃO tanto assim – tudo somadinho por viatura, pela entrada no Senegal se as contas não falham, pagámos praticamente o mesmo que pelos Vistos de entrada na Guiné-Bissau, país que íamos simplesmente ajudar e cuja Embaixada em Lisboa não prescindiu de cobrar não obstante terem sido solicitados directamente pela sede da AMI.

E querem saber um pouco sobre outra passagem no mesmo local?

Excerto:
« E, como «eles» querem tudo… aquele outro que, sendo fim de semana islâmico, só se dispunha a fazer os cachets nos Passaportes contra o pagamento do Passavant e a oferta de um blusão, uma garrafa de whisky e Viagra. Fúria do chefe, paciência da Maufeitio e a negociação concluiu-se com a aposição imediata dos cachets contra uma garrafa de whisky e um saquito plástico onde se despejara um tubo de Guronsan. Era de se ter fixado o momento em que os olhitos esbugalhados da criatura esbarram no tamanho dos comprimidos (claro que lhe foi dito que deveria parti-los em 4 e ir tomando a intervalos de quarto de hora até conseguir o resultado desejado – desconhece-se esse resultado que não deve ter sido famoso)»

S. LOUIS DO SENEGAL





Entramos na confusão da cidade ao cair da noite. O inevitável polícia a fazer-nos parar e logo a tentativa de se obter um hotel onde jantar e dormir. Tudo bem; Hotel de La Poste, na praça logo a seguir à ponte (em obras).
































Mas o senhor agente da autoridade não se dá por satisfeito com a informação prestada e lá vem o inevitável pedido: documents – Passavant des voitures, cartes gris, permis des conducteurs, Passeports. Ça fait M. tout va bien !!

وثائق - سمح [بسّفمت] من السيارات, سيارة رخص, سائقات, جواز سفر. أنّ جعل [مر.]. كلّ جيّدا!! لا, كلّ على نحو رديء

Non, tout va mal
Sem Passavant : - As viaturas e cartas de condução apreendidas mais o Passavant ( que até está legal).
Como diria o «Puto» gandagranel !!! recriminações ao chefe da douane de Djama – nós somos estrangeiros e não temos que saber as obrigações dos funcionários dos países em que circulamos. O Passavant não foi emitido por nós, limitamo-nos «a pagar» o que nos foi exigido por um serviço mal realizado.
Instala-se a confusão, não só no trânsito e na multidão, mas também nos nossos espíritos ---- vamos ter que sair desta mas nunca «voltando» a pagar a este mafioso. Viaturas encostadas, inicia-se o show-off: telefonar para «o miúdo» da douane de Djama para nos por em contacto com o chefe --- o assunto vai ter que ser resolvido por ele.
Uma vez mais os acorrem – e de que maneira mais teatral. O zeloso agente da autoridade um tanto atemorizado pelo espectáculo montado, decide devolver os documentos. Azar !! No meio dos papeis o «permis» do Periquito (a nossa nossa recente cartinha de condução tipo cartão multibanco) esgueira-se-lhe das mãos e é prontamente apanhada por um dos , tipo varejeira, que zanzava à nossa volta na pedincha.
Mais rápido do que se consegue contar e à exclamação do Zé «falta-me a minha carta de condução» o JP sem certeza nenhuma dispara na sua corrida de atleta e o à entrada da ponte





 – BINGO – mão aberta e… era mesmo a carta de condução do Periquito. Uff


…E agora quem segura «a capitaine»?


 o senhor agente intimidado (de rabinho entre as pernas) manda seguir sem mais impedimentos, desejoso de nos ver bem longe.

Mas o espectáculo ainda não terminou. Já estacionados no parque do Hotel de La Poste nova ligação para Djama e aí está o chefe ainda mais apertadinho que o dito senhor agente. De novo !! E a capitaine impõe: amanhã, antes das 08H00 quero um Passavant por viatura entregues aqui no hotel!!

 Não falte! Não nos faça voltar a Djama! É um aviso !!

…E não faltou !!! 08H00 petit-dejeuner e … os Passavants !!!


----- é preciso descontrair… para mulher que se preze … nada melhor que umas comprinhas --- ou antes ---- troquinhas !! Lá ficou um Nokia com a bateria pifada em troca de duas canoas e um talher de madeira. Não custa nada aprender a viver!!


Os meninos também compraram «calcinhas à caipira» e todos partimos felizes para mais um dia que se augura pesado e quente.

Mas isto é a Africa genuína! Que esperavam encontrar??

PARQUE NACIONAL DO DJUDJE
















iNDESCRITÍVEL 

Uma fauna  profusa de animais e pássaros em plena liberdade selvagem.





THIES – DIOURBEL – KAFFRINE

Manhãs frescas a facilitarem o andamento, paragens no tempo estritamente necessário para abastecimentos e os quilómetros vão desfilando lentamente, ora em paisagens magnificas ora nem por isso, fotografias e filmagens para memória futura e ao final do dia o anunciado «Campement de Kaffrine».





Um «aldeamento» turístico francês que já conheceu melhores dias mas mesmo assim ainda com um belo jardim, com alguns quartos climatizados, «manga» (isto quer dizer bué em guineense) de mosquitos, um jantar agradável de poulet grillé e muita, muita bier bien froid!! 



E já noite, uma lua espectacular em quarto crescente.



Novo dia, novamente a rolar e já perto do objectivo: A Guiné-Bissau - entrada por Pirada.





VILINGARA – WASSADOU

Uma certa suspeição sobre gentes e local, fruto de experiências passadas mas a impossibilidade de ir mais além faz-nos jantar e pernoitar no «Centre Touristique de Vilingara»




Afinal não passou de receio, houve bière fresca, dormiu-se e saímos cedo para vencer quilómetros porque aqui o sol e calor são manga.

TAMBACOUNDA

Novo dia, novo destino --- mais quilómetros a vencer agora já sem a fresquidão da manhã mas com as temperaturas a ultrapassarem os nossos hábitos.








Novo aldeamento, HOTEL KEUR KHOUDIA, este em pior estado que o Champement de Kaffrina, a climatização substituída por ventoinhas ronceiras e barulhentas para não destoar dos miseráveis colchões. Ninguém fotografou!


Valeu um jantar especial… Paulinho, o nosso K9, o homem para toda-a-colher virou cozinheiro.

No jardim frente à cubata onde iria pernoitar foi servido um lauto jantar de esparguete com esparguete regado pela nossa semi-fresca Imperial. 

Deixo uma promessa: para o resto dos meus dias: sempre que olhar para um prato de esparguete, recordarei com saudade esta noite mal dormida.

Começou a surgir a nova flora tropical; 






a floresta começa a ser mais frequente com os seus embondeiros erguendo os ramos, quais braços esquálidos para o céu, clamando não se percebe bem porquê. 

Aparecem as primeiras TERMITEIRAS  obras de arte e engenho de laboriosas formigas


A fauna também varia, começamos a encontrar os primeiros macacos, esquilos e uma infinidade de pássaros de várias cores e tipos de beleza.































Pobres pássaros… na sua vivacidade voam e esvoaçam em todas as direcções, sós ou em bandos mas alegres e descuidados não deixam possibilidade de fuga ao nosso K9.
Impõem-se julgar o fiável e potente Land-Craizy --- não há dúvida, é um potencial assassino --- rapidamente lhe é dada uma alcunha --- assassino de pássaros «Birdmurder» --- bem… bird murder … estará melhor assim?


Ao longo desta viagem foram usadas palavras diferentes, claramente porque se adaptaram a situações diferentes. Não resisto à tentação de citar a mais corrente:
 «descravinar»
Descravinar dá para tudo, por exemplo, apanhar um caju ou… apanhar flores (riso) servir um cafezinho, ou «ir lá atrás» arranjar qualquer coisa mais substancial para regozijo «da malta» do carro que nos segue; ou parar para «tirar foto» a uma termiteira


E como traduzirá o «Puto» porc espinho? Fauna da savana senegalesa ou algo como um arrepio mais forte (sic)
Hummm não, tranquilizem-se… eu não escrevo mais nada …
...neste capítulo